“New Testament exegesis is open to dangers not only from an uncritical, sterile apologetic fundamentalism, but also from no less sterile ‘critical ignorance,’ which, in my judgement, has hardly more in common with sound historical-critical methods. Whoever radically strikes the Messiah question from the Passion story makes this not only completely incomprehensible – for there remains then only a banal, vacuous torso – but is also unable to explain the Easter events and the origin of post-Easter christology. This is a high price – much too high a price – to pay for the postulate of an unmessianic Jesus.” (Martin Hengel, Studies in Early Christology [Edinburgh: T&T Clark, 1995], 57–8.)

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“[…] Since the 1860s the critical study of the Life of Jesus in Germany has been unconsciously under the influence of an imposing modern-religious nationalism in art. It has been deflected by it as by an underground current. It was in vain that a few purely historical investigators raised their voices in protest. The process had to work itself out. For historical criticism had at the same time become a secret struggle to reconcile the Germanic religious spirit with the spirit of Jesus of Nazareth. It was concerned for the religious interests of the present. Therefore its error had a kind of greatness: that was in fact the greater thing about it, and the injustice with which the pure historian treats it is the respect which he owes it. German critical study of the life of Jesus is an essential part of German religion. As of old Jacob wrestled with the angel, so German theology wrestles with Jesus of Nazareth and will not let him go until he blesses it – that is, until he consents to serve it and suffers himself to be drawn by the Germanic spirit into the midst of our time and our civilization. But when the day breaks, the wrestler must let him go. He will not cross the ford with us. Jesus of Nazareth will not let himself be modernized. As a historical phenomenon he remains banished to his own time. He has no answer for the question, ‘Tell us your name in our speech and for our day!’ But he blesses those who have wrestled with him, so that, though they cannot take him with them, yet, like men who have seen God face to face and received healing in their souls, they go on their way with renewed courage, and fight with the powers of the world.

But the historical Jesus and the Germanic spirit cannot be brought together except by an act of historical violence which in the end injures both religion and history. Our theology carries the battle of the modern religious spirit with the spirit of Jesus back into the past. It seeks right and power for its beginning by conforming the historical Jesus to itself, so that it is not the modern spirit influenced by the spirit of Jesus, but the Jesus of Nazareth constructed by modern historical theology that works on our generation.” (Albert Schweitzer, The Quest of the Historical Jesus [London: SCM Press, 2000], 277.)

“Nenhuma leitura das Escrituras pode ser legítima, portanto, se ela fracassa em fazer dos leitores uma comunidade que encarna o amor de Deus demonstrado em Cristo. Esse critério destrói todas as leituras frívolas ou de auto-serviço, todas as leituras que buscam engrandecer o intérprete, todas as leituras meramente inteligentes. A verdadeira interpretação das Escrituras nos conduz a oferecer as nossas vidas incondicionalmente ao serviço de nossa comunidade, cuja vocação é a de reencenar a obediência do Filho de Deus que nos amou e se entregou por nós. Comunidade à semelhança de Cristo é cruciforme; uma correta interpretação, portanto, deve ser cruciforme. ‘Enquanto vivemos, somos sempre entregues à morte por amor de Jesus para que a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal’ (2 Cor. 4:11). Qualquer leitura das Escrituras que exige de nós algo diferente ou menor do que isso é uma leitura falsa.” (Richard Hays, Echoes of Scripture in the Letters of Paul [New Haven: Yale University Press, 1989], 191.)

“As igrejas ocidentais têm capitulado de forma tão eficaz à fragmentação do mundo proposta pelo Iluminismo que a Cruz tem sido reduzida a um mero mecanismo celestial pelo qual escapamos do mundo perverso do pecado, ao invés de representar a vinda de Deus à esfera pública do mundo a fim de estabelecer o seu reino. […] Mas a visão original do Jesus crucificado de fato desconstrói o discurso irado do fundamentalista, ao mesmo tempo em que enfrenta o desprezo do secularista. A Cruz não deve permitir que o fundamentalista corrompa a mensagem do Messias crucificado, tornando-a um meio de obtenção de poder para o seu próprio serviço, assim como não deve deixar o secularista escapar com a sua crítica padrão (e já previsível) da ‘religião perigosa’. A Cruz está no centro da redefinição da própria palavra ‘Deus’ e, portanto, deve abrir novas possibilidades para o que significa pensar acerca de ‘Deus na esfera pública’.” (N.T. Wright, em “God in Public? Reflections on Faith and Society” [2008].)

“Não é a ideia de redenção através do sofrimento, mas o evento da crucificação compreendido como a obra expiatória de Deus, aquilo que distingue o Cristianismo. Não é a doutrina da ressurreição, mas a fé na ressurreição de Jesus como sendo um evento escatológico, aquilo que forma a base da decisão cristã pela fé. Não é a fé na vinda de um Messias aquilo que concede ao Cristianismo o seu caráter único, mas a segurança de que Jesus governa como o Messias que veio e há de vir. Não é a esperança de uma Nova Criação aquilo que empresta singularidade ao Cristianismo, mas a fé de que Jesus é o Novo Adão, o primogênito da Nova Criação. Finalmente, não é a “ética do amor” que distingue o Cristianismo do Judaísmo [ou demais religiões] – longe disso. A fé cristã se distingue da antiga fé, a partir da qual o próprio Cristianismo nasceu, em sua compreensão da nova ação do amor de Deus, a revelação de Seu amor na vida, morte e ressurreição da figura histórica e particular de Jesus.” (Frank Moore Cross, The Ancient Library of Qumran [London: 1958], 184.)

Conceitos éticos “universais” como amor, verdade e justiça não são invenções cristãs. Muito antes do Novo Testamento, os antigos (por exemplo, os filósofos gregos) já pensavam acerca dessas coisas, sobre o significado de ser ser humano. Em contraste, o que o evangelho propõe é a redefinição de tais conceitos a partir de Jesus, o Deus de Israel encarnado, o ser humano em sua plenitude. O evangelho é diferente, não somente por enfatizar valores éticos humanizadores, como amor, verdade ou justiça, mas primordialmente, por dar significado a tudo isso. Todo mundo aspira por amor, verdade e justiça. Ora, mas o que é amor? O que é verdade? O que é justiça? A resposta do evangelho a tudo isso é simples e tangível: Jesus. O evangelho é Jesus.

Estamos em meados de Janeiro, o ano acadêmico já está a todo vapor (pelo menos aqui na terra do frio), e eu realmente deveria estar fazendo outra coisa neste exato momento. Mas, resolvi aproveitar minha pausa de hoje para fazer um breve comentário sobre o video religioso (isso mesmo, religioso) intitulado “Jesus>Religion” (http://www.youtube.com/watch?v=1IAhDGYlpqY), que está muito em voga ultimamente nas redes sociais.

Eis o porque que eu acho essa ideia de um “Jesus sem religião” profundamente insatisfatória:

1- Para começar, esses movimentos anti-religião usam péssima terminologia. Religião, nas palavras de Tony Jones (ecoando Friedrich Schleiermacher) por exemplo, é a expressão da experiência humana com o transcendente; não é algo necessariamente bom, nem ruim, é simplesmente inevitável. Só que, para a turma do Jesus não-religioso, “religião” é um termo que encapsula todas as suas experiências negativas em relação a fé. Em outras palavras, os não-religiosos chamam de religião tudo aquilo que os marcou negativamente ao longo da vida, incluindo aquilo que não correspondeu ao apetite de seu consumismo religioso. Tudo bem, há pessoas que sofreram formas genuínas de abuso em instituições religiosas e, portanto, é até compreensível que alguns achem interessante demonstrar aversão ao termo. Mas, isso não justifica a má terminologia. Transferir ao termo “religião” todo tipo de conotação pejorativa é tão simplista e ilegítimo quanto dizer que a instituição da “família” é ruim pelo fato de existirem pais que abusam de seus filhos – uma sugestão que beira a burrice.

2- Colocar Jesus contra religião é uma dicotomia falsa. Aquela frase “religião é o homem em busca de Deus, e cristianismo é Deus em busca do homem” pode até soar bonito, mas é superficial. O cristianismo é a religião que tem como matriz o evangelho de Jesus, a mensagem do Deus que veio ao mundo na pessoa de Seu Messias. Não obstante, o cristianismo, tendo emergido da religião veterotestamentária através da proclamação escatológica dos apóstolos, é religião sim. Aliás, Jesus mesmo tinha uma religião – a do Sinai. E ele não veio “abolir a religião,” nem se colocar “no outro extremo do espectro.” Jesus veio, nas palavras de N. T. Wright, redefinir o povo de Deus ao redor de si mesmo. Isso significa que Jesus não está necessariamente em oposição à religião; significa que ele veio mostrar a sua finalidade. O próprio irmão de Jesus, Tiago, sugere isso: “A religião que Deus, o Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas necessidades e não se deixar corromper pelo mundo” (Tg 1:27). Além disso, se Jesus tivesse abolido a religião e suas expressões ou, como muitos gostam de dizer hoje em dia, toda forma de fé institucionalizada, como é que ele pôde estabelecer sacramentos, como o batismo e a ceia? Não nos esqueçamos também de que não existe cristianismo individual, sem comunidade. Como T. F. Torrance acertadamente definiu, “conversão é o retornar do ‘eu-individualista’ para o ‘nós-coletivo.'” Congregar é estar com outros em nome de Jesus. E uma reunião onde dois ou mais estão em nome de Jesus já é em si um ato religioso e institucional, mesmo que tal grupo não tenha um CNPJ.

3- O anti-religiosismo de hoje é raso do ponto de vista exegético e pobre no que diz respeito à sua consciência histórica. Sobre isso, não há muito o que dizer, pois a realidade do segmento mais pop do evangelicalismo contemporâneo diz por si só. Só um adendo: É extremamente necessário que cada geração reformule a maneira de pensar e expressar sua fé, de acordo com os desafios de sua época. Mas, precisamos fazer isso com o mínimo de perspicácia, não é verdade? O rapzinho meia-boca do “Jesus>Religion” em momento algum reflete um pensamento crítico sério em relação aos problemas reais dos nossos dias. Como diria Carlos Nascimento, “nós já fomos mais inteligentes.”

4- E, finalmente, dizer que “sou de Jesus, mas não sou de nenhuma religião” é, no fundo, uma afirmação arrogante; afinal, a ideia de que “Jesus>Religion” pressupõe que aqueles que “são de Jesus” estão num patamar mais elevado do que os demais indivíduos da raça humana, que (cruz credo, pobrezinho deles) confessam uma religião. Já que os “de Jesus” não têm uma religião, mas vivem o “cristianismo puro e simples” (como se existisse cristianismo sem dialética com as correntes culturais de sua época), são eles os verdadeiros iluminados. E o critério para se discernir se você é de fato um cristão verdadeiro é simples: basta você não ter compromisso nenhum com a religião ou com alguma instituição. A ironia é que, enquanto os anti-religiosos se dizem livres da maldição de serem julgados por sua aparência exterior (como costumes, vestimenta, etc.), eles mesmos julgam como “religiosos” todos aqueles que seguem qualquer tipo de tradição. Se esquecem, porém, de que Deus vê além das aparências, independente se você expressa abertamente sua religião ou não. O anti-religiosismo, portanto, tão preocupado em ser cool e diferente, não passa de mais uma expressão religiosa, igualzinha as demais.

Ser de Jesus, meus caros, é viver a religião em sua finalidade mais plena.

Bom, agora deixa eu voltar ao tabalho. Afinal, a Luiza já voltou do Canadá, mas eu não.